Autoeuropa

Regressa a ameaça de despedimentos


Ainda há dois meses os trabalhadores da AutoEuropa tinham aceite as exigências da direcção da VW da Alemanha, de reduzir de 200% para 100% o pagamento do trabalho extraordinário e que os aumentos salariais se limitassem a 4,5% nos próximos dois anos, como condição para a fábrica receber a encomenda do sucessor do Sharan. Em troca, a AutoEuropa comprometeu-se a não fazer despedimentos colectivos até Dezembro de 2008.
Pois, apesar desse “acordo” arrancado à força, regressa a ameaça de despedimentos na fábrica de Palmela. Numa entrevista recente, o responsável da Gestão de Recursos Humanos do Grupo VW declara expressamente que “continuamos com um problema na Europa Ocidental” e que “iremos prosseguir com as reduções de pessoal na Europa Ocidental”. Começa a perceber-se que a multinacional se prepara para romper sem cerimónia o acordo que assinou.


“O MELHOR É CEDER AQUI PARA GANHAR ALI”

O mais chocante nisto tudo é a atitude do coordenador da Comissão de Trabalhadores, António Chora, que tudo fez para convencer os trabalhadores a aceitar o acordo (apesar do voto contra de mais de 860, 36,5% do total) e agora vem dizer que “a situação é desfavorável para Palmela”, devido à cedência dos sindicatos alemães, que aceitaram aumentar as horas de trabalho semanais para 34, sem acréscimos salariais.
Se já se sabe que as multinacionais não olham a meios para impor as suas condições, não era de prever que a cedência sem luta em Outubro iria preparar um novo ataque da VW? No entanto, o mesmo António Chora, numa entrevista dada à revista Pública (22/10/06), condenou o desejo de resistência dos trabalhadores, argumentando que “as CT não podem assumir uma atitude de resistência pura, porque já sabemos quais são as consequências”; “é fácil fazer sindicalismo a dizer não a tudo”; “o melhor é ceder aqui para ganhar ali”. Está--se a ver o que os trabalhadores vão ganhar…
A mentalidade de António Chora, que é igual à de tantos outros dirigentes sindicais e de CTs, está bem espelhada na mesma entrevista, quando acena com as possibilidades de formar em Portugal um cluster da indústria automóvel, – desde que, entenda-se, haja “boa formação técnica e comportamental (!), com trabalhadores abertos à discussão para encontrar soluções para os problemas”.
Os trabalhadores só conseguirão começar a erguer uma resistência efectiva aos assaltos do capital se, através de processos de luta, afastarem da direcção dos sindicatos e CTs estes tecnocratas que já só sabem raciocinar pelos interesses do capital e encaram os trabalhadores como simples mão-de-obra cujo dever é produzir lucros.

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