A CGTP face à CSI

Paulo Ambrósio


Nova central sindical internacional acirra divisionismo

Foi adiada para Janeiro a 4ª Conferência da CGTP sobre Organização Sindical, prevista para 24 de Novembro, e que se deveria debruçar sobre a defesa da contratação colectiva e o combate à precariedade, para além de questões administrativas e de quadros.
A este adiamento não será estranha uma divergência surgida nas estruturas da central e à margem dos pontos da ordem de trabalhos, que tem a ver com a atitude a tomar face à nova Confederação Sindical Internacional (CSI). Esta CSI, que aparece promovida na comunicação social com cores simpáticas, resulta da fusão de um conjunto de centrais social-democratas de direita, com destaque para a antiga CISL, possuidora de um historial pouco invejável de colaboração de classes e fretes ao imperialismo.
Conhecida a formação da CSI, logo a direcção do Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, SPGL, iniciou diligências para introduzir no debate a hipótese de adesão da CGTP à CSI. Os sindicatos afectos ao PCP, e não só, opõem-se a essa medida, que vincularia o sindicalismo nacional às correntes internacionais mais direitistas. Para já, a corrente pró-CSI é muito minoritária, mas não é de excluir que o assunto venha a ser introduzido na ordem de trabalhos da Conferência, em Janeiro.
A actual direcção do SPGL, recorde-se, está sob um processo de impugnação, por alegadas irregularidades no apuramento dos votos nas últimas eleições. O impasse estatutário em que mergulhou a vida do sindicato levou recentemente à liquidação efectiva da Comissão Sindical dos Professores Desempregados, o que não se estranha, conhecido o desagrado com que a direcção do sindicato observa o radicalismo das posições dos professores desempregados. Estes, porém, não vão desistir da luta pelos seus direitos.

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