Palestina

A guerra dos 60 anos


1948 é para os palestinianos o ano da grande ca­tás­trofe: 750 aldeias destruídas e três quartos da população expulsos pelos colonos sionistas. Começou então uma das mais duras e prolongadas lutas de um povo pelo direito à existência. Em 1967, é a vez de a Cisjordânia, Gaza e Jerusalém Leste serem ocupadas.
Em 1993, longos anos de resistência contra o colonialismo e a política de apartheid são defraudados quando a OLP assina os acordos de Oslo, que atribuem aos palestinianos apenas 22 por cento do território – mas que, mesmo assim, nunca serão apli­­cados. Estes acordos eram para Israel e o seu men­tor norte-americano apenas um passo na realização do projecto de dispersão e aniquilamento do povo pales­­tiniano.
A partir de 2001, a Autoridade Palestiniana e o seu chefe histórico, Arafat, são feitos prisionei­ros em Ramallah. Como mesmo assim cedem, dois anos depois os EUA e a UE impõem Mahmud Abbas como primeiro-ministro e, à sombra deste, a CIA infiltra os ser­­viços secretos palestinianos, com vista a uma repres­são em mais larga escala das forças combativas.
Em 2004, Arafat morre em circunstâncias suspeitas e o chefe espiritual do Hamas, Ahmed Yassine, é assas­sinado. Parece desimpedido o caminho para levar final­mente ao poder na Palestina um governo “amigo” de Israel e do Ocidente.
Porém, contra todas as previsões, nas eleições de há um ano o povo palestiniano dá o poder ao Hamas. As vociferações do Ocidente contra esta organização “ter­rorista” e “comunitarista” não impedem as massas de reconhecer nela o herdeiro legítimo da sua longa re­sistência nacional.
Inicia-se então uma nova fase na grande conspira­ção contra o povo mártir da Palestina. O governo de Ha­niyeh, saído de eleições livres, é impedido de gover­nar, a ajuda internacional é congelada, as receitas adua­neiras da Autoridade Palestina são roubadas por Israel, fomenta-se a fome e o desemprego – os palestinia­nos são punidos por ter “votado mal”. Como o povo, mes­mo assim, não se levanta contra o governo, Israel acen­tua a repressão de forma bárbara: mais de 400 palesti­nianos, 150 dos quais civis, são assassinados, a somar aos 5500 mortos, feridos e estropiados desde a famige­rada “visita” de Ariel Sharon à esplanada das Mes­quitas, início da segunda Intifada.
Numa situação caótica, com a presidência de Abbas a servir de árbitro entre os clãs mafiosos das grandes fa­­mílias, com as grandes potências a usar os palestinia­nos como peões de xadrez, foi lançada a última grande jogada – a exigência de novas eleições para expulsar o governo legítimo de Haniyeh. Mas também essa ma­nobra acaba de ser frustrada com a formação do gover­no de unidade que o Hamas vinha propondo.

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