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111 - SETEMBRO / OUTUBRO 07

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Ponto de Vista

O acordo da vergonha

Inesperado e chocante para muitos apoiantes do Bloco de Esquerda, o acor­do assinado pelo vereador Sá Fernandes com António Costa está na lógica do cur­so político do BE.

As justificações com que procura co­brir-se não resistem à mínima análise.  A desculpa de que Sá Fernandes nego­ciou à revelia da direcção do Bloco cai pe­la base: se violou os compromissos assu­midos, porque não é publicamente de­sautorizado pela direcção do BE? É óbvio que negociou porque lhe foi dada liberdade de acção para tal.

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Flexigurança – A batalha que nos espera

A flexigurança, com que nos vêm enchendo os ouvidos há meses, já está em marcha. Até Dezembro ficarão defi­nidos os princípios comuns. O progra­ma entra em aplicação no próximo ano.

Que novidades vêm aí?

Os trabalhadores vão passar a ter um contrato de trabalho individual e tempo­rário, a não ter um horário de trabalho fixo, a mudar de funções dentro da em­presa, ou até de localização. Acaba o tem­po dos contratos por toda a vida, da se­mana de 5 dias a 8 horas, das negocia­ções colectivas, das compensações por des­pedimento, etc. Tudo passa a ser fle­xível. Em Espanha, 55% dos novos con­tratos já são a prazo. Este vai ser também o nosso futuro dentro de pouco tempo.

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Não à flexigurança!

Abaixo o Governo!

Não somos escravos do capital!

 

PROFESSORES  - “Temos que exigir a revogação do Estatuto!”

João Medeiros entrevista Sofia Barcelos

 

Há quanto tempo dás aulas? Tens sido sempre colocada? E a tua situação contratual?

Acabei a licenciatura em Educação de Infância na Escola Superior de Educação de Lisboa, em Julho de 2004. Du­rante todo o ano desempenhei as mesmas funções que uma colega destacada. No entanto, não ganhei vencimento de professora como ela (eu ganhava salário e meio mínimo nacional mais subsídio de almoço) nem tive contagem de tempo de serviço.

Em Agosto de 2005 voltei para Lis­boa com um subsídio de desemprego no valor de 355 euros. Nesse ano con­corri a nível nacional mas não consegui lugar em lado nenhum.

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Em nome do desenvolvimento

Aparentemente há leis irrevogáveis para tudo e mais alguma coisa. Mas desde que se tenha dinheiro e amigos bem colocados a impunidade está garantida, e esta será tanto maior quanto maior for a conta bancária

O nosso país vive desde há muito numa espécie de estado de excepção per­manente. Aparentemente há separação de poderes e tem órgãos de fiscalização e instituições estáveis, democraticamente sufragadas, leis irrevogáveis para tudo e mais alguma coisa.

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CRÓNICA

Israel declarou a Faixa de Gaza “território inimigo” e o Hamas “organização terrorista”, o que pode significar, para já, o corte da água, electricidade e combustível, tornando insustentável a já trágica situação do 1,5 milhões de palestinianos que aí vivem. Mas isto ainda é o que Washington chama “jogar à defesa”.

Guerra à vista

O objectivo conjunto de Israel e Estados Unidos é liquidar o governo do Hamas com a colaboração da Fatah, para cujo governo têm sido encaminhadas armas e ajuda financeira e a quem se tem prometido mais uma vez o reconhecimento de um “Estado Palestiniano”. Prepara-se pois a liquidação pelas armas do governo eleito livremente pela maioria dos palestinianos. Com tropas a combater no Iraque e no Afeganistão, a opção militar “não é muito atractiva mas não deve ser excluída”, declaram analistas americanos.

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Os mortos de que não se fala

 

Israel - “Esquerda mole” deixa correr

O massacre sistemático dos resistentes palestinianos só é possível porque uma opinião pública israelita contaminada pela mentalidade racista de “povo superior” lhe dá o seu aval. O testemunho de um grande intelectual israelita

 Israel está em vias de se transformar numa colónia ame­ricana, à semelhança do que eram a antiga Rodésia ou a África do Sul em relação à Grã-Bretanha. Colónia dirigida pelos oligarcas, pelo exército e pelo Shin Beth (polícia secreta), o país é uma prisão, onde vivem três milhões e meio de habitantes nativos, amontoados em áreas territoriais, em campos de concentração ou em gue­tos, de acordo com uma política demográfica clara­mente racista, orientada para a purificação étnica.

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As guerras coloniais do século XXI

Guerra no Iraque. Guerra no Afega­nistão. Prepara­tivos de guerra civil na Pa­lestina. Ameaças de ataque nu­clear ao Irão. Ameaças de ataque à Síria. Guerra ci­vil larvar no Líbano. Desmembramen­to final da Sér­via pela separação do Ko­sovo. Força internacional no Darfur…

A simples enumeração dos conflitos na região do Pró­ximo e Médio Oriente mos­tra o progresso feito pelo imperialis­mo desde que foi declarada a “guerra mun­­dial ao terrorismo”. Instaurado um estado de emer­gência mundial, foi abo­lida qualquer aparência de lei internacio­nal. As intervenções militares imperialis­tas passaram a ser a lei, a resistência dos agredidos passa a ser “terrorismo dos fora-da-lei”.

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Não queremos Portugal envolvido na guerra suja anti-basca

1. Depois de um encontro dos ministros do Interior de Espanha e Portugal, acaba de ser anunciada a formação de uma equipa policial mista luso-espanhola, para activar as investigações em torno de possíveis actividades da ETA em território nacional.

É o que se pode chamar matar três coelhos duma caja­dada: usa-se a paranóia “antiterrorista” para dar mais pode­res às polícias, envolve-se o governo português num pro­blema político interno do Estado espanhol e dá-se um primeiro passo para a integração policial ibérica sob co­mando de Madrid.

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Os sovietes em acção

Na passagem do 90º aniversário da Revolução de Outubro, a burguesia fala do “terror vermelho” enquanto o PCP pinta uma “revolução” bem ordenada. Nem a uns nem aos outros convém falar do poderoso  levantamento dos milhões de explorados, aqui evocado pelo autor dos Dez dias que abalaram o mundo

No coro de insultos e mentiras lançados pela imprensa capitalista contra os sovietes russos, ouve-se o grito estri­dente de que “Não há governo na Rússia!”

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O Che vive

Ernesto Guevara, jovem inquieto, viajou extensamente por toda a América do Sul e, médico recém-formado, come­çou a manifestar preocupação pela miséria e exploração dos mais pobres, deixando já adivinhar o seu futuro empe­nhamento na subversão revolucionária.

Iniciou-se na luta política primeiro na Guatemala e em se­guida no México, onde foi influenciado pelas ideias mar­xistas, através da sua primeira mulher, a peruana Hilda Ga­dea, e outros exilados políticos. Depois de conhecer Fidel Cas­tro e os rebeldes cubanos, aderiu ao plano de insurreição e partiu com eles para Cuba (1951-1959).

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Feminismo da diferença: retrocesso à vista

O fundamental é que não se perca de vista o objectivo pelo qual deve lutar

o movimento feminista – a emancipação da mulher, a plena igualdade

entre os seres humanos e o fim de todos os tipos de opressão,

dominação e exploração

Com investimentos cada vez menores nas áreas sociais, sobretudo no que toca a saúde e educação – política condi­zente com a concepção neoliberal de Estado – muitas for­mulações do feminismo actual permitem o uso e o abuso das noções de diferença, que são convenientes ao Estado, mas prejudiciais ao movimento feminista.

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Centrismo sob capa “esquerdista”

No seu artigo “Aprender a lidar com os reformistas” no n° 110 da PO, Francisco Rodrigues esforça-se por refutar o que classifico de única estratégia revolucionária actual dos comunistas portugueses: dar indicação de voto no PCP e, nal­guns casos, no BE, e trabalhar em conjunto nestes e com estes partidos, mediante comícios, manifestações de rua, acção sindical, fabril e associativa sociocultural, greves parciais ou gerais, etc., pelo derrube do sistema capitalista.

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Aharon Shabtai - Israelita, autor de poemas e helenista de nomeada mundial. Publicou em 2003 J’accuse, livro de poemas condenando as práticas de Israel durante a Ocupação. (Ver em http://www.europalestine.com/ ).

 

 

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